Unidade

Unidade é um tema recorrente nas Escrituras, tanto no Novo como no Antigo Testamento. Esse assunto é, também, um dos nove valores principais que estabelecemos para a Primeira Igreja do Evangelho Quadrangular. Assim como a excelência, a unidade está presente na criação do mundo. Ao lermos Gênesis 1.26: “Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança”, vemos a unidade da trindade divina na criação. Com certeza não há nenhum exemplo melhor de unidade que o da Trindade divina. Pai, Filho e Espírito Santo são três, mas são tão, absolutamente, unidos em tudo que se tornam um. Deus fez o homem para viver em unidade com Ele. Também é o propósito de Deus a unidade conjugal, familiar e social. Em razão da entrada do pecado, o homem separou-se de Deus e essa separação gerou uma tendência: a desunião entre os homens. Contudo, quando os homens decidem se unir, a capacidade de realização é extraordinária.

 

I – Unidade em Babel.

a) “Vamos construir uma cidade, com uma torre que alcance os céus. Assim nosso nome será famoso e não seremos espalhados pela face da terra… E disse o Senhor: Eles são um só povo e falam uma só língua, e começaram a construir isso. Em breve nada poderá impedir o que planejam fazer. Venham, desçamos e confundamos a língua que falam, para que não entendam mais uns aos outros”(Gn 11.6,7).

b) A motivação da construção desta torre estava na vaidade humana -“nosso nome será famoso”. O propósito desta obra era contrário ao mandamento divino de se multiplicar e encher a terra (Gn 1.28), pois eles queriam ficar em um único local da terra, e isso não seria bom para eles. No entanto, é muito interessante a declaração divina: “Em breve nada poderá impedir o que planejam fazer”. Havia uma unidade para fazer algo com motivação errada e contra a vontade de Deus. Essa unidade tinha um enorme poder de realização, mesmo que errada; por isso Deus confundiu as línguas.

c) Quando há unidade, não há limites para o que se intente fazer. Quando há desunião, mesmo que haja um grande potencial, não ha realização.

 

II – A oração de Jesus.

a) “Minha oração não é apenas por eles. Rogo também por aqueles que crerão em mim, por meio da mensagem deles, para que todos sejam um, Pai, como tu estás em mim e eu em ti. Que eles também estejam em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste” (Jo 17.20,21).

b) Antes de morrer na cruz, Jesus orou em favor de seus discípulos e de todos nós. Essa é conhecida como a “Oração Sacerdotal de Jesus”. O assunto mais abordado na oração de Jesus foi a unidade. Se Jesus priorizou esse valor em Sua oração é porque trata-se de algo muito importante. Cristo mostrou que se houvesse essa unidade entre nós, o mundo creria nEle.

c) Se Jesus orou e lutou por unidade, nós devemos fazer o mesmo. Unidade ocorre dentro de um contexto da comunidade, mas também abençoa a individualidade dos envolvidos e atrai outros para que se unam a essa comunidade. Em nosso caso, a comunidade dos que creem em Jesus.

 

III – A unidade da Igreja Primitiva.

a) “Eles se dedicavam ao ensino dos apóstolos e à comunhão, ao partir do pão e às orações. Todos estavam cheios de temor, e muitas maravilhas e sinais eram feitos pelos apóstolos. Os que criam mantinham- se unidos e tinham tudo em comum” (At 2. 43,44). “Da multidão dos que creram era um o coração e a alma.” (At 4.32a).

b) Estes versículos colocam a unidade em conjunto com outros valores importantíssimos como: ensino, comunhão, partir do pão, orações, temor. Isso tudo gerava um ambiente que viabilizava a ação divina com operações de sinais e maravilhas. A Bíblia diz que eles se mantinham unidos e o coração e a alma deles era um.

c) O impacto que a Igreja Primitiva causou em seu tempo foi impressionante. Entre as causas desse impacto está a unidade. Se tivermos unidade teremos muitas conquistas em nossa vida pessoal, familiar e como igreja.

 

IV – Inimigos da unidade.

a) Diante de tudo o que estava acontecendo na Igreja Primitiva, alguns inimigos da unidade começaram a se levantar. No entanto, esses inimigos foram confrontados e não tiveram espaço para permanecer.

b) Os primeiros inimigos foram a vaidade humana e a mentira. Diante da generosa oferta de Barnabé, um homem que vendeu sua propriedade e trouxe o dinheiro aos pés dos apóstolos; Ananias e Safira, também, venderam uma propriedade, mas mentiram a respeito do valor. Barnabé, em virtude de sua disposição em servir, de seu caráter piedoso e generoso, acabou se destacando. Ananias e Safira visando o interesse pessoal, inflamados pela vaidade humana, mentiram e acabaram perecendo (At 4. 36-5.11). O segundo inimigo foi a quebra da comunhão. Houve um problema entre os judeus de fala grega e os de fala hebraica. Os de fala grega reclamaram que as viúvas deles estavam sendo esquecidas, e que as de fala hebraica estavam tendo suas necessidades supridas. Diante disso os apóstolos agiram e viabilizaram a solução do problema para que a unidade fosse mantida (At 6.1-7).c) Entre os inimigos da unidade estão a vaidade humana, a mentira e a quebra da comunhão (que pode ser gerada por vários motivos). Estejamos alertas contra todos os inimigos da unidade e tratemos com eles de maneira apropriada.

Concl. Se tivermos unidade não haverá limites para que grandes realizações aconteçam. Assim como Jesus, oremos e lutemos por unidade, pois assim os outros conhecerão Jesus. Se agregarmos os valores da Igreja Primitiva, entre eles o da unidade, veremos as manifestações divinas como eles viram e assim muitos virão a Cristo. Além de buscarmos a tão necessária unidade, estejamos alertas contra todos os inimigos dela.