A Bíblia fala muito, sobretudo no Antigo Testamento, a respeito de altares e sacrifícios. Antes mesmo de haver o tabernáculo no deserto e o templo em Jerusalém, altares foram construídos e sacrifícios oferecidos a Deus. Há muitos altares e sacrifícios que a Bíblia menciona; porém, hoje, não vamos abordar todos eles. Queremos tomar esta passagem bíblica como exemplo, aprender os princípios contidos nela e aplicá-los à nossa realidade, de culto e de vida. Os altares sempre estiveram presentes no relacionamento entre as pessoas e Deus. O altar sempre foi e é lugar de sacrifício, culto, arrependimento, manifestações divinas, ofertas, encontros com Deus e de bênçãos.
No contexto deste texto que lemos as leis cerimoniais ainda não estavam totalmente explicitadas e, também, não havia um lugar específico para se oferecer sacrifícios. O Novo Testamento continua a falar sobre sacrifício e ensina que a nossa própria vida deve ser dada a Deus como um sacrifício: “Portanto, irmãos, rogo-lhes pelas misericórdias de Deus que se ofereçam em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus; este é o culto racional de vocês” (Rm 12.1,2). Na Nova Aliança temos muitos exemplos de sacrifícios e somos incentivados a oferecê-los: “Por meio de Jesus, portanto, ofereçamos continuamente a Deus um sacrifício de louvor, que é fruto de lábios que confessam o seu nome” (Hb 13.15). É importante entender que não se trata de sacrifícios para sermos salvos, pois este sacrifício Jesus já fez de maneira perfeita e satisfatória. Devemos oferecer sacrifícios porque já fomos salvos. Ao olharmos para os textos do A.T. aprendemos as atitudes necessárias para oferecermos os sacrifícios em nosso tempo.

I –Como deve ser o altar.
“Façam-me um altar de terra […]” (24a). “Se me fizerem um altar de pedras, não o façam com pedras lavradas, porque o uso de ferramentas o profanaria” (v.25).
As razões dessas instruções não estão explícitas na Bíblia, mas podemos pensar em alguns motivos pelos quais essas ordens foram dadas. O fato da ordem divina falar sobre um altar de terra (ou tijolo que é um material feito de terra) pode remeter ao fato de que o homem foi feito do pó da terra. Isso já indicaria que Deus queria as pessoas em si mesmas como oferta para Ele. Se fosse um altar de pedra, essas pedras não deveriam ser talhadas com ferro, teriam de permanecer no formato que eram. Alguns comentaristas reportam-se aos altares dos cananeus, que além de serem feitos de pedras lavradas, teriam, também, figuras e ornamentos esculpidos neles. Sendo assim, Deus queria distanciar Israel de qualquer espécie de culto pagão. Alguns rabinos deram explicações sutis como: “o altar perdoa e o ferro pune, ou melhor, o altar alonga a vida e o ferro abrevia”.
O altar e os sacrifícios são elementos do culto a Deus. A única maneira pela qual Deus recebe o nosso culto é se este for realizado dentro dos princípios estabelecidos por Ele. No texto de Hebreus, citado acima, lemos que o culto a Deus precisa ser feito por meio de Jesus; deve ser contínuo, o louvor tem que estar presente e o nome dEle confessado.

 

II – O que deve estar no altar.
“[…] sacrifiquem-me os seus holocaustos e as suas ofertas de comunhão […]” (v.24b). “Não subam por degraus ao meu altar, para que nele não seja exposta a sua nudez” (v.26).
Holocausto (Hb. עלה –`olah) significa oferta totalmente queimada. Havia alguns sacrifícios nos quais o ofertante participava da oferta, porém no holocausto o ofertante não ficava com nada. Ofertas de comunhão (Hb. שׂלמּ – shelem) eram sacrifícios voluntários que demonstravam a gratidão do ofertante para com Deus. Elas também eram chamadas de ofertas pacíficas, pois celebravam a paz, comunhão e amizade com Deus; por causa da aliança do Senhor com eles. O ofertante não deveria ser alguém que estimulasse desvios morais na vida dos outros. Em toda oferta oferecida a Deus a pureza moral deveria estar presente.
Nossa vida deve ser oferecida totalmente a Deus, sem reservas. Não deve sobrar nada de nós para nós mesmos; tudo deve estar, totalmente, à disposição dEle: “Então Jesus disse aos seus discípulos: Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me” (Mt 16.24). Jesus deixa claro que tudo deve ser dEle. Deus, também, deseja ver em nós gratidão e esta deve ser demonstrada com nossas ofertas. Quando ofertamos nosso tempo, trabalho, dinheiro e habilidades para Deus; sendo gratos pela salvação, amizade, a aliança que temos com Ele e por todas as bênçãos advindas desta aliança, estamos ofertando em Seu altar e cultuando a Ele. Ofereçamo-nos, totalmente, a Ele e sejamos sempre gratos. Que a nossa vida tenha pureza moral e nunca estimule ou defenda qualquer espécie de imoralidade. A sexualidade é santa e agrada a Deus só no contexto do casamento: “O casamento deve ser honrado por todos; o leito conjugal, conservado puro; pois Deus julgará os imorais e os adúlteros” (Hb 13.4).

 

III –As bênçãos do altar.
“[…] Onde quer que eu faça celebrar o meu nome, virei a vocês e os abençoarei” (v.24c).
Muito embora o altar e o sacrifício devam contemplar Deus e buscar honrá-Lo, as pessoas que assim O cultuam, são abençoadas. Quando Abraão foi oferecer o sacrifício que Deus lhe pediu, experimentou a provisão de Deus em sua vida (Gn 22.7-14). Quando Elias apresentou ofertas a Deus em um altar reparado, o Senhor respondeu com fogo e o honrou (1 Rs 18.38). Jesus também afirmou: “Deem, e lhes será dado: uma boa medida, calcada, sacudida e transbordante será dada a vocês. Pois a medida que usarem também será usada para medir vocês” (Lc 6.38).
Quando chegamos ao altar e cultuamos a Deus com nosso sacrifício, Ele nos visita com muitas bênçãos. Convido você a vir ao altar de Deus e oferecer o que você é e tem, como uma oferta de holocausto e gratidão, pois o Senhor é digno. Creio que Ele virá a você e o abençoará de uma maneira muito especial.

 

Concl. Que o nosso altar, nosso culto seja feito de acordo com a vontade de Deus. Ofereçamos no altar de Deus toda a nossa vida, sem reservas. E apresentemos nossa gratidão não só com nossas palavras; mas também com nossas atitudes. Ofereçamos a Deus e, por Ele, sejamos abençoados.

Pastor Silas Zdrojewski