Ao lermos os Evangelhos e observarmos os milagres de Jesus percebemos que, de maneira geral, eles ocorrem instantaneamente. Os versículos desta passagem mostram Jesus curando um cego, em duas etapas. Esse fato merece a nossa atenção e reflexão. Ao pensarmos sobre esta passagem queremos observar a chegada deste cego a Jesus, o ambiente para a realização do milagre e a cura progressiva realizada por Jesus.

 

 I – A chegada do cego a Jesus.

“[…] algumas pessoas trouxeram um cego a Jesus, suplicando-lhe que tocasse nele”. (v.22).

Este homem cego foi trazido até Jesus por algumas pessoas. O cego nunca poderia chegar até Cristo se outros não o trouxessem. Após aquelas pessoas chegarem com o homem até a presença de Jesus, elas suplicaram que o Senhor o tocasse. Elas agiram a favor daquele cego, trazendo-o a Cristo e intercedendo por ele.

Há uma cegueira muito pior do que a física: é a cegueira Cegueira espiritual é aquela que impede as pessoas de enxergarem, perceberem a realidade da existência de um Deus que as ama; e enviou Jesus para ser o único caminho que conduz a Ele. A Bíblia diz em 2Coríntios 4.4 que, quando o entendimento das pessoas é cegado, a luz do Evangelho não é vista por elas. A única maneira dessas pessoas enxergarem a luz do Evangelho, que tem o poder de transformar a vida delas; é se nós, que já conhecemos Jesus, as trouxermos até Ele, intercedendo por elas.

 

II – Dificuldades no caminho do milagre.

“Ele tomou o cego pela mão e o levou para fora do povoado. Depois de cuspir nos olhos do homem e impor-lhe as mãos, Jesus perguntou: Você está vendo alguma coisa? (v.23). Jesus mandou-o para casa, dizendo: Não entre no povoado!” (v.26).

A leitura do texto faz com que surja uma pergunta: por que o homem não foi curado na primeira ministração de Jesus? A ação de Jesus em tirá-lo do povoado para curá-lo e, depois de curá-lo; proibi-lo de voltar a entrar no povoado, indica que havia algo prejudicial naquele lugar. O evangelho de Mateus nos dá uma indicação do que ocorria em Betsaida: “Ai de você, Corazim! Ai de você, Betsaida! Porque se os milagres que foram realizados entre vocês tivessem sido realizados em Tiro e Sidom, há muito tempo elas teriam se arrependido […]”. (Mt 11.21). Jesus disse que naquela cidade havia falta de arrependimento. A falta de arrependimento impede a ação divina. Pode-se deduzir que aquele cego teve dificuldades no recebimento do milagre, porque estava contaminado com uma comunidade que era impenitente (que persiste nos erros, incapaz de avaliar as consequências, incapaz de perdoar). A dificuldade não estava no fazer de Jesus, mas no receber do homem.

Cabe-nos verificar, de maneira bastante honesta, se alguns milagres que temos buscado não estão acontecendo por falta de arrependimento de nossos pecados. Será que não temos sido impenitentes?

 

III – Uma cura progressiva.

“Depois de cuspir nos olhos do homem e impor-lhe as mãos, Jesus perguntou: Você está vendo alguma coisa? Ele levantou os olhos e disse: Vejo pessoas; elas parecem árvores andando. Mais uma vez, Jesus colocou as mãos sobre os olhos do homem. Então, seus olhos foram abertos, e sua vista lhe foi restaurada, e ele via tudo claramente.” (v. 23-25).

Aquele homem recebeu seu milagre em etapas, não instantaneamente. Após a primeira ministração de Jesus ele já começou a ver alguma coisa; porém, sem nitidez. Mas, nem Jesus nem ele desistiram do processo; eles continuaram e tiveram sucesso. Jesus nunca desiste de ninguém.

Às vezes, não recebemos aquilo que queremos no momento que gostaríamos, pois algumas coisas fazem parte de um processo de transformação. O mais importante é nunca desistir. Jesus nunca desistirá de nós.

 

Concl. Procuremos ajudar aqueles que ainda não tiveram um encontro com Jesus, trazendo-os a Cristo. Busquemos identificar quais são as dificuldades que temos tido em alcançar o que precisamos de Deus e busquemos eliminá-las; não sejamos impenitentes. Submetamo-nos a todo o processo necessário, mesmo que as nossas necessidades sejam respondidas de maneira progressiva.

Pr. Silas Zdrojewski