03-sacerdotes

Sacerdócio Universal, de quem?

O sacerdócio remonta à necessidade de representação a Deus ou dEle, face à quebra da comunhão direta entre homens e Deus por causa da queda do homem – Gn 3.

Com o passar do tempo, essa concepção de alguém comunicando com Deus acabou desvirtuada pela designação de pessoas para representar diante de “deuses” ou “divindades”, estabelecidas pela própria consciência humana ou “forças espirituais”, alheias ao único Deus.

Contudo, aprouve a Deus não ficar nunca sem Sua representação pe-

rante Sua criação. Daí a escolher um povo para Si e nesse, estipular condições para chegar a Ele restabelecendo a situação primitiva de comunhão. Por Abraão e sua descendência, Deus promove a linhagem para representá-Lo perante as nações criando a nação de Israel, dando-lhe no Sinai uma “constituição” durante a travessia do cativeiro egípcio à terra prometida. As leis comporiam dois aspectos: regras de conduta na área relacional entre as pessoas e, regras espirituais para relação com Ele; no segundo aspecto o sacerdócio fica normatizado pela designação dos descendentes de Levi (bisneto de Abraão) – Gn 29, para ser um sacerdócio representativo em contraposição às formas ritualísticas ancestrais, comuns a povos inclusive o Egito de onde haviam saído.

Diferentemente da época patriarcal, na qual líderes exerciam “funções sacerdotais”, Deus agora pré-figura o sacerdócio santo e celestial, inconfundível de Melquisedeque tipo daquele que viria – Gn 14: 18-20. Os sacerdotes designados tratariam de ritos físicos, mas com ligação espiritual a Deus e às Alianças Divinas anteriores, as quais apontavam para a obra redentiva do Messias predito em Gn 3: 15. Na figura de Arão, irmão de Moisés, e seus filhos, fica consolidada a forma representativa do sacerdócio, sendo aquele como Sumo-sacerdote e esses como sacerdotes.

Precipuamente, a função do sacerdote era a o oferecimento de ofertas (5 tipos), queima do incenso, unção com óleo e sangue, procedimentos em algumas doenças, alguns julgamentos que excediam a forma normal necessitando da intervenção Divina. A linha sacerdotal seria de Arão, da tribo de Levi, e os demais levitas ocupar-se-iam de outras funções: Ex 28 e outros; Lv 27 e Nm 1,3,4,8, consistindo por exemplo de limpar, arrumar e carregar o tabernáculo e mais tarde no templo.

O Sumo-sacerdote detinha uma santificação superior aos sacerdotes, portanto, sua designação envolvia condições mais rígidas (Ex 28,29; Lv 8,21). Somente o Sumo-sacerdote entraria no Santo dos Santos ou Santíssimo, lugar da presença de Deus, uma vez no ano, quatro vezes nesse dia, chamado Dia da Expiação (Lv 16), para expiação da nação de Israel, tipificando a abertura e entrada de Cristo rompendo o véu, e por Ele permitindo aos redimidos também a entrada no Santo dos Santos (Hb 8 – 10).

BÁSICAMENTE, O CONCEITO MAIS PROFUNDO DO SACERDÓCIO É SERVIÇO.

Com o Messias, o Cordeiro de Deus, a Nova Aliança, a função sacerdotal mesmo no formato pós-cativeiro da Babilônia, perde o valor material (Hb 7: 11 – 15), e o Verdadeiro Sacerdote se revela: Mc 10: 45 “…. Eu não vim para ser servido mas para servir e dar a minha vida…”. Ora se o Senhor serve, quem fica responsável por Seu trabalho na Terra? Não é Cristo o único Sacerdote Celestial? Sim, é Ele porquanto é único intercessor entre Deus e os homens – I Tm 2:5. Mas então?

Deixando Israel de cumprir o propósito de Deus, Ele determina um outro povo para ser Seu representante – A IGREJA – Ef 2: 12 – 16. Não se nomeia mais sacerdotes como no A.T. No sentido de servir, o sacerdócio Universal preconizado por Cristo é executado por seus agentes, ou seja, todos os crentes que recebem a Cristo como Senhor e Deus são sacerdotes do Deus Verdadeiro. Tal afirmação já o dizia o reformista Martinho Lutero.

Todo crente hoje executa o “serviço” pelo louvor, cuidado das coisas de Deus e dos outros, amando a Deus e ao próximo como a si mesmo, primando por não permitir que ninguém que foi dado a Cristo se desvie, fazendo o Deus Vivo conhecido e Suas maravilhas entre todos os povos.

Deus constitui autoridades no Seu reino que respondem perante Ele pelo serviço e crescimento da Igreja, a qual é o corpo de Cristo, devendo zelar e dirigir com dedicação os agentes de Deus na relação com Ele, orando, aconselhando e ajudando. Bem assim se, cada crente é um sacerdote também deve interceder e trabalhar com essas autoridades, para que o Reino de Deus abranja toda a Terra. O Caminho para o santíssimo foi aberto pelo maior dos Sumo-Sacerdotes através do véu, isto é Sua carne, Hb 10: 20, permitindo que todos independentemente de posição hierárquica cheguem a Deus.

SOMOS SACERDOTES DE DEUS POR JESUS CRISTO EM TODA PARTE.

João Luiz Cavichiolo

João Luiz Cavichiolo

Bacharel em administração de empresas e gestão pública pela UFPR, obreiro credenciado desde 1976, professor do CVQ (Centro Vocacional Quadrangular) por 29 anos nas cadeiras de pentateuco e panorama bíblio, professor da Escola Bíblica da Primeira IEQ Curitiba há 46 anos, casado com Norma Luiza Lau Cavichiolo, pai de quatro filhos e avô de cinco netos.

Share this post